Portugal levanta 998 milhões e mantém juros negativos a três meses


A agência que gere a dívida pública (IGCP) foi hoje aos mercados levantar 998 milhões de euros, conseguindo juros mais negativos no prazo mais curto e mantendo o nível de procura.

De acordo com os dados divulgados pela Bloomberg, o valor total ficou próximo dos mil milhões de euros indicativos para os dois leilões, de três e 11 meses.

A 11 meses Portugal levantou 750 milhões de euros, a uma taxa de juro de 0,03%, acima dos 0,006% registados no último leilão. A procura foi 3,38 vezes superior à oferta, quando antes tinha superado em 3,37 vezes.

No prazo que vence em Março, o país colocou 248 milhões de euros, reforçando os juros negativos da última emissão (-0,023% contra -0,021%, num novo mínimo histórico). Neste caso a procura foi ligeiramente superior à operação comparável mais recente (1,87 vezes a procura contra 1,84 vezes).

Este é o primeiro leilão levado a cabo por Portugal depois de Mario Draghi ter anunciado a extensão do programa de compra de activos do Banco Central Europeu por mais um semestre, alargando também a aquisição a outros títulos.

“As operações correram dentro do que vem sendo a normalidade: continuamos a ser suportados pelo BCE e pelo seu programa de compra de activos. À conta disso, Portugal anda há um ano a financiar-se a taxas que de outro modo seriam impossíveis de conseguir. Resta-nos aproveitar esta fase para refinanciar a dívida pública a taxas mais baixas, num dos casos, a 3 meses, com a taxa mais baixa de sempre. O montante emitido foi de perto de mil milhões de euros, dentro também do que é habitual”, refere Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa, em nota a que o Económico teve acesso.

Para Steven Santos, gestor do BIG, a afluência dos investidores aos dois leilões com o objectivo de substituir os títulos de curto prazo próximos da maturidade "demonstra a procura dos investidores por rendimento, por mais baixo que possa parecer". O gestor considera ainda "oportuno" o momento escolhido para esta operação, não tendo havido concorrência de emissões de outros países periféricos além da Grécia.

Para Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, o aumento do custo de financiamento no prazo mais longo reflecte "alguma preocupação" dos investidores "com as recentes cedências do PS aos partidos de esquerda parlamentar nas negociações relativas à redução da taxa extraordinária, numa altura em que decorre a concertação social para aumento do salário mínimo".

O mercado aguarda esta quarta-feira pela decisão da Reserva Federal norte-americana, que poderá decidir o primeiro aumento de juros em cerca de nove anos na maior economia do mundo, continuando a retirada de estímulos.

No momento da emissão, os juros de Portugal intensificaram os recuos em 2,7 pontos base, para 2,54%, acompanhando os alívios do resto dos periféricos do sul do euro.